MEDIDA PROVISÓRIA Nº 335, DE 23 DE DEZEMBRO 2006 - DOU
DE 26/12/2006 –
Convertida em Lei
Convertida na Lei 11.481 de 2007
Dá nova redação a dispositivos das Leis nos 9.636, de 15 de maio de 1998, 8.666, de 21 de junho de 1993, 11.124, de 16 de junho de 2005, e dos Decretos-Leis nos 9.760, de 5 de setembro de 1946, 271, de 28 de fevereiro de 1967, e 1.876, de 15 de julho de 1981, prevê medidas voltadas à regularização fundiária de interesse social em imóveis da União, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1o Os arts. 1o, 6o, 7o, 9o, 18, 19, 26 e 31 da Lei no 9.636, de 15 de maio de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1o É o Poder
Executivo autorizado, por intermédio da Secretaria do Patrimônio da União do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a executar ações de
identificação, demarcação, cadastramento, registro e fiscalização dos bens
imóveis da União, bem como a regularização das ocupações nesses imóveis,
inclusive de assentamentos informais de baixa renda, podendo, para tanto,
firmar convênios com os Estados, Distrito Federal e Municípios em cujos
territórios se localizem e, observados os procedimentos licitatórios previstos
em lei, celebrar contratos com a iniciativa privada.” (NR)
“Seção II
Do Cadastramento
Art. 6o
...........................................................................................................................................................
§ 1º A comprovação
do efetivo aproveitamento será dispensada nos casos de assentamentos informais
definidos pelo Município como área ou zona especial de interesse social, nos
termos do seu plano diretor ou outro instrumento legal que garanta a função
social da área, exceto na faixa de fronteira ou quando se tratar de imóveis que
estejam sob a administração do Ministério da Defesa e dos Comandos da Marinha,
do Exército e da Aeronáutica.
..........................................................................................................................................................................
§ 4o Nas
áreas urbanas, em imóveis possuídos por população de baixa renda para sua
moradia, onde não for possível individualizar as posses, poderá ser feita a
demarcação da área a ser regularizada, cadastrando-se o assentamento, para
posterior outorga de título de forma individual ou coletiva, dispensada, nesta
hipótese, a comprovação do efetivo aproveitamento individual.” (NR)
“Seção
II-A
Da Inscrição da Ocupação
Art. 7º A
inscrição de ocupação, a cargo da Secretaria do Patrimônio da União, é ato administrativo
precário, resolúvel a qualquer tempo, que pressupõe o efetivo aproveitamento do
terreno pelo ocupante, outorgada pela administração depois de analisada a
conveniência e oportunidade, e gera obrigação de pagamento anual da taxa de
ocupação.
§ 1o É
vedada a inscrição de ocupação sem a comprovação do efetivo aproveitamento de
que trata o art. 6o.
§ 2o A
inscrição de ocupação de imóvel dominial da União, a pedido ou de ofício, será
formalizada por meio de ato da autoridade local da Secretaria do Patrimônio da
União, em processo administrativo específico.
§ 3o Será
inscrito o ocupante do imóvel, tornando-se este o responsável no cadastro dos
bens dominiais da União, para efeito de administração e cobrança de receitas
patrimoniais.
§ 4o As
ocupações anteriores à inscrita, sempre que identificadas, serão anotadas no
cadastro a que se refere o § 3o, para efeito de cobrança de
receitas patrimoniais dos respectivos responsáveis, não incidindo, em nenhum
caso, a multa de que trata o § 5o do art. 3o
do Decreto-Lei no 2.398, de 21 de dezembro de 1987.
§ 5o Os
créditos originados em receitas patrimoniais decorrentes da ocupação de imóvel
da União serão lançados após concluído o processo administrativo
correspondente, observadas a decadência e a inexigibilidade previstas no art.
47.” (NR)
“Art. 9º
.....................................................................................................................................................
I - ocorreram
após 27 de abril de 2006;
II - estejam concorrendo ou tenham concorrido
para comprometer a integridade das áreas de uso comum do povo, de segurança
nacional, de preservação ambiental ou necessárias à preservação dos
ecossistemas naturais, de implantação de programas ou ações de regularização
fundiária de interesse social ou habitacionais, das reservas indígenas, das
ocupadas por comunidades remanescentes de quilombos, das vias federais de
comunicação, das reservadas para construção de hidrelétricas, ou congêneres,
ressalvados os casos especiais autorizados na forma da lei.” (NR)
“Art. 18.
................................................................... .....................................................................
II - pessoas
físicas ou jurídicas, em se tratando de interesse público ou social ou de
aproveitamento econômico de interesse nacional.
§ 1o A
cessão de que trata este artigo poderá ser realizada, ainda, sob o regime de
concessão de direito real de uso resolúvel, previsto no art. 7o
do Decreto-Lei no 271, de 28 de fevereiro de 1967,
aplicando-se, inclusive, em terrenos de marinha e acrescidos, dispensando-se o
procedimento licitatório para associações e cooperativas que se enquadrarem no
inciso II.
.............................................................................
.............................................................................
§ 6o Fica
dispensada de licitação a cessão prevista no caput relativa a
bens imóveis construídos, destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de
programas de provisão habitacional ou de regularização fundiária de interesse
social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração pública.”
(NR)
“Art. 19. ........................................................................................................................................
VI - permitir a cessão
gratuita de direitos enfitêuticos relativos a frações de terrenos cedidos
quando se tratar de regularização fundiária, para famílias carentes ou de baixa
renda.” (NR)
“Art. 26. Em se tratando de
projeto de caráter social, para fins de moradia, a venda do domínio pleno ou
útil observará os critérios de habilitação e renda familiar fixados em
regulamento, podendo o pagamento ser efetivado mediante um sinal de, no mínimo,
cinco por cento do valor da avaliação, permitido o seu parcelamento em até
duas vezes, e do saldo em até trezentas prestações mensais e consecutivas,
observando-se, como mínimo, a quantia correspondente a trinta por cento do
valor do salário mínimo vigente.
Paragrafo único. Nas
vendas de que trata este artigo, aplicar-se-ão, no que couber, as condições
previstas no art. 27, não sendo exigido, a critério da administração, o
pagamento de prêmio mensal de seguro, nos projetos de assentamento de famílias
carentes ou de baixa renda.” (NR)
“Art. 31. Mediante
ato do Poder Executivo e a seu critério, poderá ser autorizada a doação de bens
imóveis de domínio da União, observado o disposto no art. 23, a:
I - Estados,
Distrito Federal, Municípios, fundações públicas e autarquias públicas
federais, estaduais e municipais;
II - empresas
públicas federais, estaduais e municipais;
III - fundos
públicos, nas transferências destinadas a realização de programas de provisão
habitacional ou de regularização fundiária de interesse social;
IV - beneficiários
de programas de provisão habitacional ou de regularização fundiária de
interesse social desenvolvidos por órgãos ou entidades da administração
pública, para cuja execução seja efetivada a doação.
......................................................................................................................................................................
§ 3o Nas
hipóteses de que tratam os incisos I a III do caput, é vedada ao
beneficiário a possibilidade de alienar o imóvel recebido em doação, exceto
quando a finalidade for a execução, por parte do donatário, de projeto de
assentamento de famílias carentes ou de baixa renda, na forma do art. 26, e
desde que o produto da venda seja destinado à instalação de infra-estrutura,
equipamentos básicos ou de outras melhorias necessárias ao desenvolvimento do
projeto.
§ 4o Na
hipótese de que trata o inciso IV do caput, não se aplica o disposto nos
§§ 2o e 3o, desde que o beneficiário resida
pelo menos cinco anos no imóvel objeto do programa de provisão habitacional ou
de regularização fundiária.
§ 5o Nas
hipóteses de que tratam os incisos III e IV do caput, o beneficiário
final deve atender aos seguintes requisitos:
I - possuir
renda familiar não superior a cinco salários mínimos;
II - não
ser proprietário de outro imóvel urbano ou rural.” (NR)
Art. 2o A Lei no 9.636, de 1998, passa a vigorar acrescida dos seguintes artigos:
“Art. 3o-A. Caberá
ao Poder Executivo organizar e manter sistema unificado de informações sobre os
bens de que trata esta Medida Provisória, que conterá, além de outras
informações relativas a cada imóvel:
I - a
localização e a área;
II - a
respectiva matrícula no registro de imóveis competente;
III - o
tipo de uso;
IV - a
indicação da pessoa física ou jurídica, a qual, por qualquer instrumento, o
imóvel tenha sido destinado; e
V - o
valor atualizado, se disponível.
Parágrafo único. As
informações do sistema de que trata o caput deverão ser
disponibilizadas na internet, sem prejuízo de outras formas de divulgação.” (NR)
“Art. 6o-A. No caso
de cadastramento de ocupações para fins de moradia cujo ocupante seja
considerado carente ou de baixa renda, na forma do § 2o do
art. 1o do Decreto-Lei no 1.876, de 15 de
julho de 1981, a União poderá proceder à regularização fundiária da área,
utilizando, entre outros, os instrumentos previstos nos arts. 18, 19, inciso
VI, 22-A e 31.” (NR)
“Seção VIII
Da Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia
Art. 22-A. A concessão de uso especial para fins de moradia
aplica-se às áreas de propriedade da União, inclusive aos terrenos de marinha e
acrescidos, e será conferida aos possuidores ou ocupantes que preencham os
requisitos legais estabelecidos na Medida Provisória no
2.220, de 4 de setembro de 2001.
§ 1o
Esse direito não se aplica sobre imóveis funcionais.
§ 2o Os
imóveis administrados pelo Ministério da Defesa e pelos Comandos da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica são considerados de interesse da defesa nacional para
efeito do disposto no inciso III do art. 5o da Medida
Provisória no 2.220, de 2001, sem prejuízo do estabelecido no
§ 1o.” (NR)
Art. 3o As alíneas “b” e “f” do inciso I do art. 17 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, passam a vigorar com a seguinte redação:
“b) doação, permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da
administração pública, de qualquer esfera de governo, ressalvado o disposto na
alínea “f”;” (NR)
“f) alienação, aforamento,
concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis
construídos, destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas
habitacionais ou de regularização fundiária de interesse social desenvolvidos
por órgãos ou entidades da administração pública;” (NR)
Art. 4o O art. 24 da Lei no 11.124, de 16 de junho de 2005, passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos:
“§ 1o O Ministério das Cidades poderá
aplicar os recursos de que trata o caput por intermédio dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, até o cumprimento do disposto no art. 12,
incisos I a V.
§ 2o O Conselho Gestor do FNHIS poderá
estabelecer prazo limite para o exercício da faculdade de que trata o § 1o.”
(NR)
Art. 5o Os arts. 79, 100, 103 e 121 do Decreto-Lei no 9.760, de 5 de setembro de 1946, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 79.
.........................................................................................................................................
§ 4o Não
subsistindo o interesse do órgão da administração pública federal direta na
utilização de imóvel da União entregue para uso no serviço público, deverá ser
formalizada a devolução mediante termo acompanhado de laudo de vistoria,
recebido pela gerência regional da Secretaria do Patrimônio da União, no qual
deverá ser informada a data da devolução.
§ 5o Constatado
o exercício de posse para fins de moradia em bens entregues a órgãos ou
entidades da administração pública federal e havendo interesse público na
utilização destes bens para fins de implantação de programa ou ações de
regularização fundiária, ou para titulação em áreas ocupadas por comunidades
tradicionais, a Secretaria do Patrimônio da União fica autorizada a reaver o
imóvel por meio de ato de cancelamento da entrega, destinando o imóvel para a
finalidade que motivou a medida, ressalvados os bens imóveis da União que
estejam sob a administração do Ministério da Defesa e dos Comandos da Marinha,
do Exército e da Aeronáutica, e observado o disposto no inciso III do § 1o
do art. 91 da Constituição.
§ 6o O
disposto no § 5o aplica-se, também, a imóveis não utilizados
para a finalidade prevista no ato de entrega de que trata o caput,
quando verificada a necessidade de sua utilização em programas de provisão
habitacional de interesse social.” (NR)
“Art. 100. .........................................................
...........................................................................
§ 6o Nos
casos de aplicação do regime de aforamento gratuito com vistas à regularização
fundiária de interesse social, ficam dispensadas as audiências previstas neste
artigo, ressalvados os bens imóveis sob administração do Ministério da Defesa e
dos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.” (NR)
“Art. 103. O aforamento extinguir-se-á:
I - por
inadimplemento de cláusula contratual;
II - por
acordo entre as partes;
III-
pela remição do foro, nas zonas onde não mais subsistam os motivos determinantes
da aplicação do regime enfitêutico;
IV - pelo abandono do imóvel, caracterizado pela ocupação, por
mais de cinco anos, sem contestação, de assentamentos informais de baixa renda,
retornando o domínio útil à União; ou
V - por interesse público, mediante prévia indenização.
............................................................................................................................................................
” (NR)
“Art. 121.
....................................................................
Parágrafo único. Nos casos de cancelamento do registro de
aforamento, considera-se a certidão da Secretaria do Patrimônio da União de
cancelamento de aforamento documento hábil para o cancelamento de registro nos
termos do art. 250, inciso III, da Lei no 6.015, de 31 de
dezembro de 1973.” (NR)
Art. 6o O Decreto-Lei no 9.760, de 1946, passa a vigorar acrescido dos seguintes dispositivos:
“Seção
III-A
Da Demarcação de Terrenos para Regularização
Fundiária de Interesse Social
Art. 18-A. A União poderá
lavrar auto de demarcação nos seus imóveis, nos casos de regularização
fundiária de interesse social, com base no levantamento da situação da área a
ser regularizada.
§ 1o Considera-se
regularização fundiária de interesse social aquela destinada a atender a
famílias com renda familiar não superior a cinco salários mínimos.
§ 2o O
auto de demarcação assinado pelo Secretário do Patrimônio da União deve ser
instruído com:
I - planta
e memorial descritivo da área a ser regularizada, dos quais constem a sua
descrição, com suas medidas perimetrais, área total, localização,
confrontantes, coordenadas preferencialmente georreferenciadas dos vértices
definidores de seus limites, bem como seu número de matrícula ou transcrição e
o nome do pretenso proprietário, quando houver;
II - planta
de sobreposição da área demarcada com a sua situação constante do registro de
imóveis e, quando houver, transcrição ou matrícula respectiva;
III - certidão
da matrícula ou transcrição relativa à área a ser regularizada, emitida pelo
registro de imóveis competente e das circunscrições imobiliárias anteriormente
competentes, quando houver;
IV - certidão
da Secretaria do Patrimônio da União de que a área pertence ao patrimônio da
União, indicando o Registro Imobiliário Patrimonial - RIP e o
responsável pelo imóvel, quando for o caso;
V - planta
de demarcação da Linha Preamar Média - LPM, quando se tratar de
terrenos de marinha ou acrescidos; e
VI - planta
de demarcação da Linha Média das Enchentes Ordinárias - LMEO, quando
se tratar de terrenos marginais de rios federais.
§ 3o As
plantas e memoriais mencionados nos incisos I e II do § 2o
devem ser assinados por profissional legalmente habilitado, com prova de
anotação de responsabilidade técnica no competente Conselho Regional de
Engenharia e Arquitetura - CREA.
§ 4o Entende-se
por responsável pelo imóvel o titular de direito outorgado pela União,
devidamente identificado no RIP.
Art. 18-B. Prenotado e
autuado o pedido de registro da demarcação no registro de imóveis, o oficial,
no prazo de trinta dias, procederá às buscas para identificação de
matrículas ou transcrições correspondentes à área a ser regularizada e
examinará os documentos apresentados, comunicando ao apresentante, de uma única
vez, a existência de eventuais exigências para a efetivação do registro.
Art. 18-C. Inexistindo
matrícula ou transcrição anterior e estando a documentação em ordem, ou
atendidas as exigências feitas no art. 18-B, o oficial do registro de imóveis
deve abrir matrícula do imóvel em nome da União e registrar o auto de
demarcação.
Art. 18-D. Havendo registro anterior, o oficial do registro
de imóveis deve notificar pessoalmente o titular de domínio, no imóvel, no
endereço que constar do registro imobiliário ou no endereço fornecido pela
União, e, por meio de edital, os confrontantes, ocupantes e terceiros interessados.
§ 1o Não sendo encontrado o titular de
domínio, tal fato será certificado pelo oficial encarregado da diligência, que
promoverá sua notificação mediante o edital referido no caput.
§ 2o O edital conterá resumo do pedido de
registro da demarcação, com a descrição que permita a identificação da área
demarcada, e deverá ser publicado por duas vezes, dentro do prazo de
trinta dias, em um jornal de grande circulação local.
§ 3o No prazo de quinze dias, contados da
última publicação, poderá ser apresentada impugnação do pedido de registro do
auto de demarcação perante o registro de imóveis.
§ 4o Presumir-se-á
a anuência dos notificados que deixarem de apresentar impugnação no prazo
previsto no § 3o.
§ 5o A publicação dos
editais de que trata este artigo será feita pela União, que encaminhará ao
oficial do registro de imóveis os exemplares dos jornais que os tenham
publicado.
Art. 18o-E. Decorrido
o prazo previsto no § 3o do art. 18-D, sem impugnação, o
oficial do registro de imóveis deve abrir matrícula do imóvel em nome da União
e registrar o auto de demarcação, procedendo às averbações necessárias nas
matrículas ou transcrições anteriores, quando for o caso.
Parágrafo único. Havendo
registro de direito real sobre a área demarcada ou parte dela, o oficial deverá
proceder ao cancelamento de seu registro em decorrência da abertura da nova
matrícula em nome da União.
Art. 18-F. Havendo
impugnação, o oficial do registro de imóveis dará ciência de seus termos à
União.
§ 1o Não
havendo acordo entre impugnante e a União, a questão deve ser encaminhada ao
Juízo competente, dando-se continuidade ao procedimento de registro relativo ao
remanescente incontroverso.
§ 2o Julgada
improcedente a impugnação, os autos devem ser encaminhados ao registro de
imóveis para que o oficial proceda na forma do art. 18-E.
§ 3o Sendo
julgada procedente a impugnação, os autos devem ser restituídos ao registro de
imóveis para as anotações necessárias e posterior devolução ao Poder
Público.
§ 4o A prenotação do
requerimento de registro da demarcação ficará prorrogada até o cumprimento da decisão
proferida pelo Juiz ou até seu cancelamento a requerimento da União, não se
aplicando às regularizações previstas nesta Seção o cancelamento por decurso de
prazo.” (NR)
Art. 7o O art. 7o do Decreto-Lei no 271, de 28 de fevereiro de 1967, passa a vigorar com a seguinte redação: ..
“Art. 7o É
instituída a concessão de uso, de terrenos públicos ou particulares, remunerada
ou gratuita, por tempo certo ou indeterminado, como direito real resolúvel,
para fins específicos de regularização fundiária de interesse social,
urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento
sustentável das várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus meios
de subsistência, ou outras modalidades de interesse social.
........................................................................................................................................................................
§ 5o Para
efeito de aplicação do disposto no caput, deverá ser observada a
anuência previa:
I - do
Ministério da Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica,
quando se tratar de imóveis que estejam sob sua administração; e
II - do
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência de República, observados os
termos do inciso III do § 1o do art. 91 da Constituição.”
(NR)
Art. 8o Os arts. 1o e 2o do Decreto-Lei no 1.876, de 15 de julho de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1o Ficam
isentos do pagamento de foros, taxas de ocupação e laudêmios, referentes a
imóveis de propriedade da União, as pessoas consideradas carentes ou de baixa
renda, cuja situação econômica não lhes permita pagar esses encargos sem
prejuízo do sustento próprio ou de sua família.
§ 1o A
situação de carência ou baixa renda será comprovada a cada quatro anos, na
forma disciplinada pelo órgão competente, devendo ser suspensa a isenção sempre
que verificada a alteração da situação econômica do ocupante ou foreiro.
§ 2o Considera-se
carente ou de baixa renda, para fins da isenção disposta nesse artigo, o
responsável por imóvel cuja renda familiar for igual ou inferior ao valor
correspondente a cinco salários mínimos.
§ 3o A
União poderá delegar aos Estados, Distrito Federal ou Municípios a comprovação
da situação de carência de que trata o § 2o, por meio de
convênio.
§ 4o A
isenção de que trata este artigo aplica-se desde o início da efetiva ocupação
do imóvel e alcança os débitos constituídos e não pagos, inclusive os inscritos
em dívida ativa, e os não constituídos até 27 de abril de 2006, bem como
multas, juros de mora e atualização monetária.” (NR)
“Art.
2o ...............................................................................................................................................
I - .........................................................................................................................................................
b) as
empresas públicas, as sociedades de economia mista e os fundos públicos, nas
transferências destinadas à realização de programas habitacionais ou de
regularização fundiária de interesse social;
c) as
autarquias e fundações federais;
.........................................................................................................................................................................
Parágrafo único. A
isenção de que trata este artigo abrange também os foros e as taxas de
ocupação, enquanto os imóveis permanecerem no patrimônio das referidas
entidades, assim como os débitos relativos a foros, taxas de ocupação e
laudêmios constituídos e não pagos, até 27 de abril de 2006, pelas autarquias e
fundações federais.” (NR)
Art. 9o A concessão de uso especial para fins de moradia, a concessão de direito real de uso e o direito de superfície podem ser objeto de garantia real, assegurada sua aceitação pelos agentes financeiros no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação.
Art. 10. A alienação de bens imóveis do Fundo do Regime Geral de Previdência Social desnecessários ou não vinculados às suas atividades operacionais será feita mediante leilão público, observadas as seguintes condições:
I - o preço mínimo inicial de venda será fixado com base no valor de mercado do imóvel estabelecido em avaliação elaborada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS ou por meio da contratação de serviços especializados de terceiros, cuja validade será de doze meses, observadas as normas aplicáveis da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT);
II - não havendo lance compatível com o valor mínimo inicial na primeira oferta, os imóveis deverão ser novamente disponibilizados para alienação por valor correspondente a oitenta por cento do valor mínimo inicial;
III - caso permaneça a ausência de interessados na aquisição em segunda oferta, os imóveis deverão ser novamente disponibilizados para alienação com valor igual a sessenta por cento do valor mínimo inicial;
IV - na hipótese de ocorrer o previsto nos incisos II e III, tais procedimentos de alienação acontecerão na mesma data e na seqüência do leilão realizado pelo valor mínimo inicial;
V - o leilão poderá ser realizado em duas fases:
a) na primeira fase, os lances serão entregues ao leiloeiro em envelopes fechados, os quais serão abertos no início do pregão; e
b) a segunda fase ocorrerá por meio de lances sucessivos à viva voz entre os licitantes cujas propostas apresentem uma diferença igual ou inferior a dez por cento em relação à maior oferta apurada na primeira fase;
VI - os licitantes apresentarão propostas ou lances distintos para cada imóvel;
VII - o arrematante pagará, no ato do pregão, sinal correspondente a, no mínimo, dez por cento do valor da arrematação, complementando o preço no prazo e nas condições previstas no edital, sob pena de perder, em favor do Fundo do Regime Geral de Previdência Social, o valor correspondente ao sinal e, em favor do leiloeiro, se for o caso, a respectiva comissão;
VIII - o leilão público será realizado por leiloeiro oficial ou por servidor especialmente designado;
IX - quando o leilão público for realizado por leiloeiro oficial, a respectiva comissão será, na forma do regulamento, de até cinco por cento do valor da arrematação e será paga pelo arrematante, juntamente com o sinal; e
X - demais condições previstas no edital de licitação.
Art. 11. Os bens imóveis do Fundo do Regime Geral de Previdência Social poderão ser alienados diretamente à União, Distrito Federal, Estados, Municípios e aos beneficiários de programas de regularização fundiária ou de provisão habitacional de interesse social.
§ 1o Na alienação aos beneficiários de programas referidos no caput, deverão ser observadas as regras fixadas pelo Ministério da Previdência Social.
§ 2o Somente poderão ser alienados diretamente aos beneficiários dos programas de regularização fundiária ou provisão habitacional de interesse social os imóveis que tenham sido objeto de praceamento sem arrematação nos termos do art. 10.
§ 3o Os imóveis de que trata o § 2o serão alienados pelo valor de viabilidade econômica do programa habitacional interessado em adquiri-lo.
§ 4o A alienação será realizada no âmbito do programa habitacional de interesse social, sendo responsabilidade do gestor do programa estabelecer as condições de sua operacionalização, na forma estabelecida pelo órgão federal responsável pelas políticas setoriais de habitação.
§ 5o A operacionalização será efetivada nos termos do § 1o, observada a celebração de instrumento de cooperação específico entre o Ministério da Previdência Social e o respectivo gestor do programa.
§ 6o A União, no prazo de até cinco anos, compensará financeiramente o Fundo do Regime Geral de Previdência Social, para os fins do art. 61 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, pelos imóveis que lhe forem alienados na forma do caput, observada a avaliação prévia dos referidos imóveis nos termos da legislação aplicável.
Art. 12. Os imóveis não-operacionais da Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação poderão ser alienados diretamente à União, Distrito Federal, Estados, Municípios e aos beneficiários de programas de regularização fundiária ou de provisão habitacional de interesse social.
§ 1o São considerados imóveis não-operacionais, para fins deste artigo, aqueles não destinados à operacionalização das linhas de transporte ferroviário, à preservação do patrimônio histórico e cultural e à preservação ambiental.
§ 2o Na alienação aos beneficiários de programas referidos no caput, deverão ser observadas as regras fixadas pela Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação.
§ 3o Aos empregados ativos, inativos, pensionistas da Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação ou seus sucessores, que se enquadrem nos termos do § 2o do art. 1o do Decreto-Lei no 1.876, de 1981, e sejam ocupantes de imóveis não-operacionais residenciais, é assegurada a preferência para aquisição do imóvel, nos termos deste artigo.
§ 4o Quando não for possível a comprovação do domínio do imóvel, será permitida a transferência de posse ao adquirente de imóvel objeto da alienação de que trata este artigo, para posterior regularização junto ao registro de imóveis.
§ 5o Os bens alienados na forma deste artigo serão registrados no cartório da situação do imóvel, não se aplicando o disposto no art. 171 da Lei no 6.015, de 31 de dezembro de 1972.
§ 6o Cabe ao adquirente adotar as providências necessárias junto ao registro de imóveis, suportando os ônus decorrentes, inclusive para os imóveis integrantes do patrimônio da Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação.
Art. 13. Na alienação de imóveis da Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação, para utilização em programas de provisão habitacional ou de regularização fundiária de interesse social, definidos pelo órgão federal responsável pelas políticas setoriais de habitação, a avaliação deverá ser feita pelo método involutivo, considerada a destinação habitacional de interesse social da área.
Art. 14. Ficam autorizadas as procuradorias jurídicas do INSS e da Rede Ferroviária Federal S.A. - em liquidação, a requererem a suspensão das ações possessórias, consoante o disposto no art. 265, inciso II, do Código de Processo Civil, quando houver anuência do ente competente na alienação da área ou imóvel em litígio, nos termos dos arts. 10, 11, 12 e 13.
Art. 15. O art. 10 desta Medida Provisória não se aplica aos imóveis do Fundo do Regime Geral de Previdência Social que tenham sido objeto de publicação oficial pelo INSS, até 31 de agosto de 2006, para alienação no âmbito do Programa de Arrendamento Residencial instituído pela Lei no 10.188, de 12 de fevereiro de 2001, os quais serão alienados pelo valor de viabilidade econômica do programa habitacional interessado em adquiri-lo.
Art. 16. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, nas regularizações fundiárias de interesse social promovidas nos imóveis de sua propriedade, poderão aplicar, no que couber, as disposições dos arts. 18-B a 18-F do Decreto-Lei no 9.760, de 1946.
Art. 17. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 18. Ficam revogados os arts. 6º, 7º e 8o do Decreto-Lei no 9.760, de 5 de setembro de 1946, o art. 93 da Lei no 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e o § 2o do art. 6o da Lei no 9.636, de 15 de maio de 1998.
Brasília, 23 de dezembro de 2006; 185o da Independência e 118o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA
SILVA
Paulo Bernardo Silva
Nelson Machado
Marcio Fortes de Almeida
Este texto não substitui o publicado no DOU. de 26.12.2006