MEDIDA
PROVISÓRIA Nº 2.200, DE 28 DE JUNHO DE 2001 - DOU DE 29/06/2001
Institui a Infra-Estrutura
de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso
da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte
Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1º Fica instituída a
Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, para garantir a
autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica,
das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem
certificados digitais, bem como a realização de transações eletrônicas seguras.
Art. 2º A ICP-Brasil, cuja
organização será definida em regulamento, será composta por uma autoridade
gestora de políticas e pela cadeia de autoridades certificadoras composta pela
Autoridade Certificadora Raiz - AC Raiz, pelas Autoridades Certificadoras - AC
e pelas Autoridades de Registro - AR.
Art. 3º A função de autoridade
gestora de políticas será exercida pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil, vinculado
à Casa Civil da Presidência da República e composto por onze membros, sendo
quatro representantes da sociedade civil, integrantes de setores interessados,
designados pelo Presidente da República, e sete representantes dos seguintes
órgãos, indicados por seus titulares:
I - Casa Civil da Presidência da
República;
II - Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República;
III - Ministério da Justiça;
IV - Ministério da Fazenda;
V - Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior;
VI - Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão;
VII - Ministério da Ciência e
Tecnologia.
§ 1º A coordenação do Comitê
Gestor da ICP-Brasil será exercida pelo representante da Casa Civil da
Presidência da República.
§ 2º Os representantes da
sociedade civil serão designados para períodos de dois anos, permitida a
recondução.
§ 3º A participação no Comitê
Gestor da ICP-Brasil é de relevante interesse público e não será remunerada.
§ 4º O Comitê Gestor da ICP-Brasil
terá uma Secretaria-Executiva, na forma do regulamento.
Art. 4º O Comitê Gestor da
ICP-Brasil será assessorado e receberá apoio técnico do Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações - CEPESC.
Art. 5º Compete ao Comitê Gestor
da ICP-Brasil:
I - adotar as medidas necessárias
e coordenar a implantação e o funcionamento da ICP-Brasil;
II - estabelecer a política, os
critérios e as normas para licenciamento das AC, das AR e dos demais
prestadores de serviços de suporte à ICP-Brasil, em todos os níveis da cadeia
de certificação;
III - estabelecer a política de
certificação e as regras operacionais da AC Raiz;
IV - homologar, auditar e
fiscalizar a AC Raiz e os seus prestadores de serviço;
V - estabelecer diretrizes e
normas para a formulação de políticas de certificados e regras operacionais das
AC e das AR e definir níveis da cadeia de certificação;
VI - aprovar políticas de
certificados e regras operacionais, licenciar e autorizar o funcionamento das
AC e das AR, bem como autorizar a AC Raiz a emitir o correspondente
certificado;
VII - identificar e avaliar as
políticas de ICP externas, quando for o caso, certificar sua compatibilidade
com a ICP-Brasil, negociar e aprovar acordos de certificação bilateral, de
certificação cruzada, regras de interoperabilidade e outras formas de
cooperação internacional;
VIII - atualizar, ajustar e
revisar os procedimentos e as práticas estabelecidas para a ICP-Brasil,
garantir sua compatibilidade e promover a atualização tecnológica do sistema e
a sua conformidade com as políticas de segurança.
Art. 6º À AC Raiz, primeira
autoridade da cadeia de certificação, executora das Políticas de Certificados e
normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil,
compete emitir, manter e cancelar os certificados das AC de nível imediatamente
subseqüente ao seu, gerenciar a lista de certificados emitidos, cancelados e
vencidos, e executar atividades de fiscalização e auditoria das AC e das AR e
dos prestadores de serviço habilitados na ICP, em conformidade com as
diretrizes estabelecidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil.
Parágrafo único. É vedado à AC
Raiz emitir certificados para o usuário final.
Art. 7º O Instituto Nacional de
Tecnologia da Informação do Ministério da Ciência e Tecnologia é a AC Raiz da
ICP-Brasil.
Parágrafo único. Para a consecução
de seus objetivos, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação poderá, na
forma da lei, contratar serviços de terceiros.
Art. 8º Às AC, entidades
autorizadas a emitir certificados digitais vinculando determinado código
criptográfico ao respectivo titular, compete emitir, expedir, distribuir,
revogar e gerenciar os certificados e as correspondentes chaves criptográficas,
colocar à disposição dos usuários listas de certificados revogados e outras
informações pertinentes e manter registro de suas operações.
Art. 9º Às AR, entidades
operacionalmente vinculadas a determinada AC, compete identificar e cadastrar
usuários, encaminhar solicitações de certificados às AC e manter registros de
suas operações.
Art. 10. Observados os critérios a
serem estabelecidos pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil, poderão ser licenciados
como AC e AR os órgãos e as entidades públicos e as pessoas jurídicas de
direito privado.
Art. 11. É vedada a certificação
de nível diverso do imediatamente subseqüente ao da autoridade certificadora,
exceto nos casos de acordos de certificação lateral ou cruzada previamente
aprovados pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil.
Art. 12. Consideram-se documentos
públicos ou particulares, para todos os fins legais, os documentos eletrônicos
de que trata esta Medida Provisória.
Art. 13. A todos é assegurado o
direito de se comunicar com os órgãos públicos por meio eletrônico.
Art. 14. A utilização de documento
eletrônico para fins tributários atenderá, ainda, ao disposto no art. 100 da
Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.
Art. 15. Esta Medida Provisória
entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 28 de junho de 2001;
180º da Independência e 113º da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
José Gregori
Este texto não substitui o publicado no DOU de
29/06/2011 - seção 1 - págs.94 a 95